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O que é capitalismo de stakeholders? Entenda origem e diferenças

24/08/2023

No momento em que o mundo se volta para o tema da sustentabilidade, conceitos como o do capitalismo de stakeholders ganham mais atenção. Pouco a pouco, o termo sai do ambiente acadêmico e ganha as salas de reuniões e pautas de planejamento das empresas. 

Mas, afinal, o que é  capitalismo de stakeholders? Para responder isso, o Presidente Executivo do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab – que popularizou o conceito no mundo – e o vice-chefe de mídia do Fórum Econômico Mundial, Peter Vanham, escreveram um artigo como uma adaptação de seu livro “Stakeholder Capitalism: A Global Economy that Works for Progress, People and Planet”.

E a definição é uma das primeiras coisas que eles trazem no texto. Segundo os autores, capitalismo de stakeholders “é uma forma de capitalismo em que as empresas não apenas otimizam os lucros de curto prazo para os acionistas, mas também buscam a criação de valor de longo prazo, levando em conta as necessidades de todas as partes interessadas e da sociedade como um todo”.

Eles explicam que essa lógica de se atentar às necessidades de todas as partes era comum nas décadas do pós-guerra no Ocidente. Nessa época, havia uma forte ligação entre as empresas e suas comunidades e um entendimento de que era impossível uma organização progredir sozinha, se outras partes da comunidade não evoluíssem também.

Mas, essa abordagem foi perdendo força ao longo da história, dando lugar ao  capitalismo de acionistas, que privilegiava o lucro dos sócios-investidores. Dessa maneira, os laços entre as empresas e suas comunidades foram afrouxando.

“Como um princípio de organização global para os negócios, o conceito de stakeholder competia frontalmente com a noção de ‘primazia do acionista’ do economista da Universidade de Chicago, Milton Friedman. Sustentava que ‘o negócio do negócio é o negócio’ (ou, como ele literalmente escreveu: ‘a responsabilidade social da empresa é obter lucros’)”, afirmam os autores.

Capitalismo de stakeholders está em alta

Klaus Schwab e Peter Vanham afirmam que, com as  crises sociais, econômicas e de saúde vividas pela sociedade nos últimos anos, o conceito do capitalismo de stakeholders está “pronto para um retorno”, a partir do entendimento de que ninguém sobreviverá se o interesse comum não for considerado.

Mas, segundo os autores, a abordagem volta de forma atualizada e mais abrangente, diferente daquela ideia de capitalismo de stakeholders vivida no pós-guerra.

Essa atualização passa, por exemplo, pelo fato de vivermos em um mundo globalizado e, portanto, com economias, sociedades e meio ambiente muito mais ligados uns aos outros.

Além disso, a tecnologia e a disseminação de informações ajudaram na conscientização das pessoas ao redor do mundo. 

Segundo os autores, nessa nova era do capitalismo de stakeholders, as pessoas (indivíduos humanos) e o planeta (ambiente natural que todos compartilhamos) ganham tanta importância, que passam a ocupar o centro dos negócios.

“A saúde do planeta, sabemos agora, depende não apenas de decisões individuais ou nacionais, mas da soma de decisões tomadas por atores de todo o mundo. Se quisermos proteger o planeta para as gerações futuras, cada parte interessada deverá, portanto, assumir a responsabilidade por sua parte nele”, afirmam.

O mesmo acontece com o olhar para as pessoas, conforme explicam: “o bem-estar das pessoas em uma sociedade afeta o das pessoas em outra, e cabe a todos nós, como cidadãos globais, otimizar o bem-estar de todos”.

Os autores concluem o artigo explicando que a lógica por trás do capitalismo de stakeholders é simples, mas bem clara no contraponto do capitalismo do acionista. Segundo eles, o modelo que prioriza os sócios leva a resultados inferiores para a sociedade como um todo, justamente porque se concentra em objetivos individuais de lucro para uma empresa ou um país, em vez pensar no valor a longo prazo, que é o bem-estar de todas as pessoas e do planeta como um todo.

 

Texto: Thaíne Belissa

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